Olive 10Set11 | 0

 

Levantam. A caminho da porta, ela decide. Entope-se de coragem barata de ar condicionado. Posso fazer-te uma pergunta?. Fecha a porta com tal leveza que ouve o trinco beijar o encaixe. Inspira. Não quero que me interpretes mal, mas a dúvida mata-me. Consome-me. Já não dá.”. Sente a respiração parar contra-vontade. A pulsação acelera tanto que os ouvidos ensurdecem, a cabeça voa de tão leve. As gotas de suor criam-se nos lugares menos convenientes. O olhar foge, a mão toca-lhe no ombro. Não perguntes.”- Não sabes o que vou perguntar. E eu tenho de saber.”“Sei. Não perguntes, sabes a resposta. Vamos deixar as coisas assim.” Ela força-se a olhar para os pés, não quer ficar zonza. Usa a mão, que não lhe largou o ombro, e empurra. Sente as costas a encostar. Junta a mão à cintura, tão perto que as ancas tocam. Aproxima a cara até sentir a respiração nos lábios. Até respirar o ar partilhado, húmido. Sente-se um toque que só não é físico. A saliva pede companhia, as mãos tremem. A cabeça, vazia de razão. A garganta, a transbordar de vontade. Quer engolir, em seco. As pupilas dilatam, a nuca arrepia. O lábio de cima toca no de baixo. Um rasar tão leve, inseguro. O de baixo no de cima. Arriscam um pouco mais de contacto, os olhos já tinham fechado há uma década atrás. As cabeças inclinam, cada uma à sua direita. Suave toque molhado, um travo a café. A mão sobe, lentamente, toca-lhe no queixo. Puxa para si. A insegurança ficou na anca, perdeu-se num beijo em que o tempo não existe. Viste, tinhas a resposta na ponta da língua. E agora?”.

Sleep deprived. Again. 22Mai11 | 0

 

Acho que percebeste tão, tão mal. É tão mais puro. Cinge-se a carinho, afecto. Dar o ombro, ouvir. Estar, incondicionalmente. À parte de amizades pré-fabricadas. Acho-me boa juíza de carácter, a primeira impressão tende a prevalecer como sendo a correcta. Tenho-me enganado tanto, no entanto… A minha ingenuidade e capacidade de prever consequências tendem a diminuir proporcionalmente aos dias que vou acumulando em cima. If you only knew. Mas já me cansei de melancolia. Já me chega disto. É seguir em frente, [e não é um ponto porque ainda não decidi como pô-lo]

Acho que mal imaginas o que fugiu.

 

And that is it. [e cá está ele.]

instabilidade 03Mai11 | 0

Tenho receio de relações. Tenho receio de confiança. De vícios também. Mas creio que o que mais me assusta é o sentimento. No sentido generalizado, tudo o que seja sentimento. Principalmente quando o sentimento se torna pouco oportuno; quando ocupa o espaço reservado a outros, à amizade; quando se torna egoísta e leva tudo consigo. É do que mais me assusta. Gostava de o saber por num cantinho sossegado e deixá-lo esmorecer, até que me permitisse escapar. Outro problema é quando decide ter vontade própria e se torna maior e mais inoportuno, começa a correr em cascata e foge da boca a contragosto. Amachuca a candura do que poderia ser um dar-de-mãos e mais nada para este pedaço de tempo; cospe para bem longe a possibilidade do dar-de-mãos para deixar apenas o nada. É melancólico e, lá está, inoportuno. Era bom que se pudesse retroceder e guardar coisas que deveriam ter permanecido, mas o quase tende sempre a valer mais que o resto. O se às vezes pesa mais que tudo. É pena é que a incerteza seja mais segura, e a certeza mais escura.

duck 29Abr11 | 0

Gotta keep it in. Keep it safe.

Sentir. Saber sentir. Querer sentir. Fazia muito tempo que sentia. Sinto tudo agora. Culpa, medo, ansiedade. De mais. Sinto-me. Pelo menos, sinto que sou.

É problemático, no entanto.

Sentir tudo, por tudo em causa. Bonito, sim. Romântico, até. Mas conflituoso e sem saída. É impossível dar o afecto que quero dar, não seria bem-vindo. Não é de mim que o queres. Sei que é o que mais precisas, mereces. Mas não de mim que o queres.

Às vezes canso-me, e quero dar oportunidade à esperança que nunca morre. Deveria dar-lhe um tiro bem no meio da testa, mas não sei se ajudava. Às vezes apetece-me arriscar tudo e “come clean”. Mas a ideia da perda do pouco que tenho é… demasiado pesada para sequer a por na balança. Ou então é cobardia.

Já nem sei. Talvez se fosse uma situação mais convencional, mais dentro do esperado, das regras, fosse Mais fácil. O meu ódio pelo convencionalismo trai-me. Desordena-me. Não é uma crise existencial… é uma crise sem saída.

Se confesso, perco tudo. Se não confesso, não aguento. É uma tortura.

É cobardia. O deixar andar, que o mundo decida. Não gosto de me dar conta que sou assim tão fraca. Deixar tudo nas mãos do caminho. Não me sabia assim. Julguei, aliás, sempre fiz por conseguir aquilo que em determinada altura quis. Para ver que afinal não era o que queria, mas o ponto continua a ser válido.

Hoje sou diferente. Sou menos capaz, menos decidida, sou um poço sem fim de insegurança.

Porque não ser sincera?

Merece.

damn it 26Jan11 | 0

E é assim. Que o presente deixa de ter futuro. Hoje, ontem, sei lá quando, descobri. De facto não sei fazer o mais correcto e apetece-me errar. Apetece-me um pouco mais de maturidade, um pouco mais de… Um pouco mais. Apeteces-me. There it is.

 

[Não, não posso. Do the right thing once!]

from love itself 21Jan11 | 0

 

One day you’ll grow up. You will look at the mirror and feel a man. You’ll bang your head and realise you never knew what means to love. You’ve never loved. You’ve never caressed someone’s body and felt your spine shiver. You’ve always fallen asleep. Even if you have been crying for hours with your head buried in your pillow. You’ve never secluded your self. Never have your legs (or your heart, for that matter) given, at the same time, an impulse towards her. You’ve had her. But you were also afraid. You let her go. But she never let you go. You’ve always chosen the easy way. You haven’t given a chance to love. It’s not simple to have it. But that is unavoidable, when one does not have the strength of a man. Tell me now, how many times have you caught the first train to meet her? Even if it meant spending the night at the train station, or pulling an all-nighter? How many times have you blindfolded her eyes and covered her ears in order to keep her only to yourself? How many times, after her last “I give up”s, have you refuted her arguments? Tell me! You don’t know what means to feel your stomach expand, your eyes on fire. The cold hands on Summer and worm sweats on Winter. You don’t know what means to write a corny love letter and rip it apart ashamed. You don’t know what means to fall asleep looking at your cell phone waiting for her call. Or how it feels when you’re rejected. For you, time has never stopped nor flashed forward. It has the same predictable balance we all know. And everything is simple and uncomplex, just as when you were five. You’ve never loved, my darling. So stop saying you know what life is.

À minha AlgRavia 28Dez10 | 1

Meu BEM. Doce melhor do Algarve. Pedaço mais puro que sei em mim. Tenho tanto para te agradecer. És tanto para mim. Conheces-me tão, tão bem; lês-me os medos e as indecisões num piscar-de-olhos. Sabes bem que não gosto de ser um livro aberto, no sentido de que detesto que tentem saber tudo de mim, mas contigo prefiro que saibas tudo e que baste a tua presença para me saber bem quando me falta tecto, chão, e paredes. Poupas-me, proteges-me, guardas-me tão bem. Gosto tanto de te ter comigo. De te saber parte inteira e integrante do meu pequenino grande coração. Aturas-me de todas as formas, em todos os recantos, com todas as asneiras que faço. Com tudo. Sabes quem sou. Às vezes esqueço-me e por isso desculpa-me. Deixas-me depender de ti quando preciso; dás-me a mão mesmo antes de saber que preciso dela. Dás-me tanto de ti que não mereço. Deixa-me guardar-te comigo, bem dentro. Porque sim, porque quero, porque és Amiga com A bem grande.

Te Amo, Coração. Fica comigo.

22Dez10 | 0

O tempo pára por

não te querer ver

partir. Preciso, fica.

11Dez10 | 0

Te voy a hacer una declaración de amor. De amor familiar, algo obsesivo-compulsivo. Como ese complejo de Edipo que dices. Amor a veces inconcientemente prejudicial. De esos en que duele la puta ausencia hasta dentro de los huesos. Huesitos que se empolvan al latir de cada metro, centímetro, milímetro que pasa. Y al intentar olvidar la ausencia, al buscarme la vida, aunque no tenga sentido de ningún ángulo, se me duerme el corazón y lo engaño. Con suaves acordes y Dulce falta de cabello que no tiene culpa. Irónico. Como una droga de esas que está súper buena, que necesitas, y de repente se te acaba. Luego la vocecita que llevas dentro te empieza a gritar y rompe la curita bonita que inventé. Se torna tan psicótico, que no ves forma de Salir de la cama. Todo el día, en la cama. En esos momentos, cuándo los zapatos no te sirven porque no les gusta el camino, rompes a correr a gasolina de venas. Aquí entra la rueda de ansiedad, alegría, felicidad, sorpresa, por saber que la encontrarás. Y la encuentras. Y sonríes, escuchas, admiras, ríes a pura voluntad, y sientes, y vives. Vives. Y después hay que irse. Para tu vida de cartón. Aquí… entra el bajón. El pensar y repensar el porqué de seguir con lo que estás haciendo, si sólo te hace sufrir. Pero lo haces. Todas las veces. Y en todas de duele igual. Entra el ciclo de buscar una rutina, que se hace mejor a cada vez – pero no te alcanza nunca, de buscar la cara que les agrada, ponerse la sonrisa que está guardada en el cajón de las medias y medirle el tono y el sonido hasta que parezca de verdad. Hasta que te lo crees. Y luego llega la voz. 

oops 04Nov10 | 0

Shit. It’s happening again.

02Nov10 | 0

 

Agora que, sendo um e um, sou só,
Que não leio a falta que me faz, e faz,
Que sei o egoísmo do roupão de madeira,
Que roubo outro rebento de virgem saliva,
Que ponho a barco saudade por a saber só,
Que sei que ela não olha para trás,
Agora que sei ser se a acompanhas.
Agora que imagino o que soube,
Que o acaso só acontece em casinos,
Que quis querer um contigo,
Que perdi a dose extra da perda,
Que vou depois de tarde de mais,
Que não provoco desejos famintos,
Que já não tenho alma para perder,
Agora que o caminho para o inferno é o doce calor proibido.
Agora que em mãos e saias curtas evapora o áspero sem ti,
Que sei que poluí mais um,
Que se escapa o fluir do teu dedilhar na minha anca,
Agora que o colectivo deixou de ser meu substantivo.

não 30Out10 | 0

Admiração mais guardada, apertada dentro de tantas, a que mais se me esconde. Dizer que sim, que entendo, que faria igual, que ninguém vê como tu vês, que raiva dá que ninguém sinta com clareza, que tenham os olhos cegados com propósitos pouco dignos. Que em tantas situações ninguém compreenda o facto que importa, que ninguém saiba apreciar quando dito e que seja posto de lado por não coincidir. Até ao ponto em que, depois de tanto esbracejar, de tanto guerrear, de dizer calma e seriamente, de dizer nas entrelinhas, de dizer em tom de anedota, e ninguém ver que só há uma forma, a tua maneira, de se chegar onde se pretende. Não é uma questão de adolescente rebelde em corpo maduro, é a pressão absurda do quotidiano de bocas para dar de comer, o querer marcar uma posição, a posição, o lugar que te é devido. Porque tens tanto que ninguém sabe ver. É o pedaço do lenço. Não uses gravata, não há que se render. Nem na última caixa irás usar. Não me apresses esse tempo.

03Set10 | 1

And she didn’t come.

20Ago10 | 0

 

Deixo o tempo guiar, vejo o tempo repetir-se. Numa constante de paralelismos, de encontros singulares, de falta de palavras e perda de sensações. Quando chega o momento da falta absoluta de momentos, da ocupação absurda dos segundos, do sky high and no limits no fim; de tudo advém a falta de vontade. O não me conseguir contagiar, ver de menos no que é tudo. O sono vazio de pestanas. Novamente, o já vivi. Outro que é puro, perfeito, sem defeitos; como outros que por mim passam e amputo. Canso-me da cumplicidade que não existe, porque não sou eu que complemento.

go down on me 24Jul10 | 0

Come on baby light my fire. Um dia deixo de escrever para a segunda pessoa. Num destes dias, asseguro-te, passo a considerar-me alma única e existente neste mundo de meias-lecas. Penso, julgo, escondo-me entre meias veladas e sonhos de criada. Entre grãos de areia a fugir para pedras preciosas, a fundir-se em vidro. Um dia, garanto-te, vou lembrar-me do bonito que foi segurar-te com as pernas. Recordarei que também fui moldada para contos de princesa e mãos-dadas entre sonos. Peço, aliás, exijo (porque me fazes sentir em total direito), que quando esse dia breve chegue, me avises de ante-mão. Para poder ter a preparação psicológica que tal evento traumatizante necessita. Sim, traumatizante. Não me venham cá falar de guerras, mutilações, fome de pele e osso. Cada um tem a sua escala, cada um relativiza do modo que pode e como pode. Hoje, a minha escala resume-se a ter-te e não te ter. E nem se quer te tenho. É que me acendeste o fogo e agora não sei que diabos fazer com ele. Blowing in the wind. Entre harmónicas e contigo deitado na minha cama, os dedos parecem deslizar e prender-me aqui, a cabeça e a pulsação quer-me ali. Contigo. Eternizar os segundos.

junta-te 15Jul10 | 0

Aproximaram-se as distâncias. Descubro que confio bem mais depressa do que quero. Não há presenças aqui a não ser as originais, no hay princesas aqui. Sou um pouco menos do que quis ser, habito o início, o silêncio de mim. Silêncio estranho, para a minha tensão. Para o atribulado que se assemelha o imediato. Não me chames sereia, não me queiras princesa. Não brinco com iscos, mordeste, engoliste-me a mim.

cold feet? 02Jul10 | 0

 

Hoje apetece-me voar. Por mim. Viajar por memórias, sentir o perigo em queda crescente, perseguir o céu. Às vezes, no seio das improbabilidades kármicas, também me acontece perder-me no escuro dos teus contornos inequívocos, na tua ingenuidade no teu jeito de menino doce que quer levar o mundo nas cordas. Às vezes também quero sugar-te tudo o que tens de bom e ser eu algo mais. Apetece-me ser egoísta e pensar em mim só. Perguntar e responder-te com o silêncio de quem diz tudo. Cold Feet?

boomerang 17Jun10 | 0

No vengas a espiarme las sílabas. Sigue fingiendo que cesé de existir y sigue sin el obstáculo que yo fui. Sigue rápido y feliz y vive todo lo que buscas huyendo de mí. No vengas a tomar de mi olor cuando te plazca, saber si he muerto o si me torné en lo que no reconoces. No me visites con frecuencia, no te quiero aquí. No me sientas la temperatura buscando frío para no quemarte, ni calor para arrancarte el hielo del corazón. No te escondas bajo esa capa de invisibilidad presumida que, sabes, no funciona conmigo. No vayas retirando sanciones hasta que te creas en el derecho de borrar el pasado. No. Deja que el tiempo pase despacito. Cuando me sientas a menos, en falta, no de quien llena mi espacio en las funciones, sino de mi, vendrás. En ese día, me leerás a puntazos y recordarás cada momento como un tiempo que cristalizó. Se hará luz en la cueva escura que eres y el deshielo será un flash. En ese día, si llega, vas a regar los viejos significados que evitaste y todo será claro y limpio como la verdad que te va a enzurdecer. En ese mismo día me vas a buscar. En cada rostro, en cada palabra, en cada uno de los pequeños vacíos que llevas dentro, en cada agujero de mi presencia. Vas a ensayar aproximaciones, a negociarlas por miedo al rechazo. Yo no se donde estaré. Se que no será donde me dejaste, en ese sitio donde cabían mi mundo y el tuyo, donde todo estaba a punto de ser. No regresaré a ese sitio nunca más. No creo en el regreso. Solo creo en el infinito y en mí.

lo que será, será 04Jun10 | 0


Quero trazer no colo os sorrisos, no vento as horas. No ouvido os medos, na recusa a minha voz. Na luz os meus pecados, no sussurro [doce] o meu perdão. Na saudade o que não posso, no futuro o que não tenho. No passado o que escapou, na chuva o que sobrar. Esconder a lágrima prevista duma partida prematura, abraçar a cidade que não me pertence, mendigar a mendigos os meus sonhos. Enquanto saboreio 4€ de Philip Morris. Escorrer à tangente no fado, desenhar-me na secante do espaço. Seleccionar impossibilidades, dissecar guerras, acumular erros, interpretar loucos. Descobrir altares indiscretos de sobe-e-desce, medir os litros do pulsar com a escala do que canto. Deixar de me aclamar senhora do chão que me leva, aplaudir a menina incoerente que soa nas tuas cordas de papel. Aprender o sabor do sal do ódio, encontrar o agridoce no desejo. Descolar o nariz do jazido, encontrar o que diriam os teus olhos arcoiris. Cavalgar a jornada carnal, sorrir em companhia à solidão. Amarrar lençóis sôfregos, trazer o que é meu apenas colado à pele. Continuar a subtrair almas quando me somam delitos. Roçar reflexos virgens, brindar com olhos nos olhos. Desfrutar o luar do dia, beber da sede que abunda. Encontrar o meu lugar que não (me) cabe.

hard 21Mai10 | 2

 

Saudade. Não no sentido comum, nunca no triste conhecido. É sentimento-não-transponível-em-palavras. Um dia, quis um dia. Um dia que pudesse esticar ao infinito. Um dia cheio de nada, um pedaço de tempo que eu pudesse vazar a meu bel-prazer.

É tão injusto que o filho da puta tenha direito a pena de morte. Uma injecçãozita e voilá. Sabes quanto pagaria eu para dormir com essa facilidade? Livre, entre os encarcerados. Quase divino, diria eu.

Descubro que até me faz falta querer-tocar-viola-à-pendura.

Relativizando, alterando a escala, não me parece nada de maior ser incapaz de recuperar o que ele levou à tumba.

No fim, que sei eu de viver? Sei fingir, vender imagens atraentes e esconder-me nelas. Não sei que escondo, talvez não reste já nada de mim.